terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Entre nós


Chovia, e era inverno em Belo Horizonte, três palavras que causavam certa incoerência quando ligadas a uma frase, pois os invernos em BH eram, atualmente, quentes e secos, raramente as chuvas vinham visitar; mas, dessa vez, vieram, estrondosas e turbulentas, assim como os sentimentos: mesmo que queira contê-los e rejeitá-los, de alguma forma eles o infecta, e entram, indomáveis!

Andei do quarto à sala, da sala à cozinha, do andar de baixo ao andar de cima, e voltava fazendo o percurso novamente; a casa era, sem dúvida, enorme para mim e pequena demais para o vazio que a preenchia. Tudo o que eu vivia era uma ilusão, as horas no relógio não passavam, mas as rugas no meu rosto cansado me diziam outra coisa: o tempo não me esperava. Eu não reconhecia o lugar no qual eu morava, eu não reconhecia a mim mesmo. Eu não sabia o que fazia ali, nada mais tinha sentido, eu era apenas um escravo da rotina, sentindo falta de algo que me completasse. Eu poderia estar rodeado de pessoas, mas sempre sentiria apenas a falta de uma... Quando você acha alguém que te completa e te faz sentir especial, não há ninguém no mundo que ocupe esse lugar, e você o espera o tempo que for preciso.

Chamou cinco vezes o telefone:

- Alô.

- Eu esperei.

- Eu sonho.

- Eu quero.

- Você.

Batia na porta. O tamborilar das gotas da chuva em acordes lá fora, o barulho do espelho despedaçado aqui dentro. Nos fragmentos me via, junto de mim eu te via... As coisas finalmente começavam a fazer sentido...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Você não sabe como eu te amo


"A bondade do Ser humano
É desenhada pela linha que corta seus lábios
Que divide seu sorriso
Que mostra seus dentes
Fortes

A natureza dessa bondade
É a energia que sai de sua boca
Que afeta meus sentidos por igual
Com seu hálito que hei de sentir
Perto

Há em mim,
um completo sonho
O sonho de que seus olhos brilharam nitidamente
Que seu rosto acalmará meu espírito
Por somente precisar de você

Eu entro em estase ao sonhar este sonho
Viajo para uma terra inóspita
Onde só há minha alma vagando
A procura de uma bondade humana

Avisto distante
O fluxo para
Há em mim um completo amor
O amor que faz meus olhos brilharem nitidamente

E ainda assim, não dizem como eu te amo"

De uma pessoa extremamente especial para mim. (L) (26/10/2011)


"Você é assim: um sonho pra mim, e quando eu não te vejo, eu penso em você desde o amanhecer até quando eu me deito. Eu gosto de você e gosto de ficar com você. Meu riso é tão feliz contigo. O meu melhor amigo é o meu amor. Você é assim: um sonho pra mim; quero te encher de beijos." - Marisa Monte - Velha Infância

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Nossos bumerangues


"Veja! Não diga que a canção está perdida. Tenha fé em Deus, tenha fé na vida! Tente outra vez... Beba! Pois a água viva ainda tá na fonte. Você tem dois pés para cruzar a ponte. Nada acabou!" - Raul Seixas - Tente Outra Vez



As pupilas se dilatam; emudeço; as lágrimas escorrem sem rumo. Sensações não são despertadas por coisas à toa... Então, deixe-me contar-lhes as razões das minhas. Coloquei uma das músicas que mais me toca, e cá estou refletindo, tirando conclusões de mim e do mundo que eu não imaginava que seria capaz; digo conclusões porque eu vejo um fim próximo, muito mais próximo do que imaginamos.
A canção se chama Dear Mr. President (em português, Querido Sr. Presidente), e baseia-se em perguntas que a cantora, Alecia Beth Moore, faz ao ex-presidente norte-americano Bush. Dentre diversas perguntas, eu congelei nesta: “como você sonha quando uma mãe não tem chances de dizer adeus?!”. Acredito que todos vocês, caros leitores, estejam cientes do acontecido nos últimos dias: um adolescente que sofria bullying - ato de violência física ou psicológica – na infância, a fim de se vingar, invade sua ex-escola e atira em todos que ele vê, inclusive e, talvez, principalmente, crianças entre 10 a 14 anos. Vocês imaginam o que deve ser para uma mãe perder um filho?! Perder uma parte dela, a parte mais importante?! Eu não tenho filhos, mas eu imagino a dor, e eu comprovo isso pelas palavras da minha mãe ao ver o acontecido: “eu não sei o que faria se fosse você, eu não sei o que seria de mim sem você”; e é nos braços, no aconchego da minha mãe que eu sinto isso! Mães que deram um “adeus” implícito em um “até mais” – pois as viram saindo pelas portas, achando que as veriam entrar por ali, entrar com vida. E dói saber que crianças crescem nessa sociedade hostil, nessa sociedade vergonhosa que, infelizmente, nós construímos.
Nós achamos que não fazemos nada de errado e que não contribuímos para isso, mas acreditem: nós fazemos, por menor que sejam nossos atos. Há uns meses eu encontrei uma criança, que aparentava ter menos de 13 anos, jogando uma pequena mesa no rio, e quando eu a adverti, ela simplesmente riu ironicamente, acintosa. Eu sei que não há comparação com a tragédia vivenciada no Rio de Janeiro, mas são ações assim, pequenas, que definem o caráter de uma pessoa e refletem em consequências desastrosas. Nós não estamos destruindo nada além de nós mesmos, e acreditem: nossas ações são como bumerangues, e se vão, elas voltam para o mesmo lugar de onde vieram; e, geralmente, com uma intensidade extremamente maior.
Desejo forças às famílias que sofreram perdas nessa tragédia do Rio de Janeiro, que Deus olhe por todos nós.


"Querido Sr. Presidente, venha dar uma volta comigo. Vamos fingir que somos apenas duas pessoas, e você não é melhor do que eu. Eu gostaria de fazer-lhe algumas perguntas se pudermos conversar honestamente: O que você sente quando vê tantos sem-tetos nas ruas? Por quem você reza a noite antes de dormir? Como você dorme enquanto o resto de nós chora? Como você sonha quando uma mãe não tem a chance de dizer adeus?" - P!nk - Dear Mr. President