sábado, 30 de outubro de 2010

Seu 'eu' bobo, mas seu.

"Do amor as lestes asas me fizeram transvoar o muro, pois barreira alguma conseguirá deter do amor o curso, tentando o amor tudo o que o amor realiza." - Romeu e Julieta - William Shakespeare


Gostava daquelas suas mensagens bobas; eram bobas, mas eram suas. Gostava tanto daqueles seus comentários sem sentidos; eram sem sentidos, mas eram seus. E aqueles elogios corriqueiros e repetitivos, eram sim corriqueiros e repetitivos; mas eram seus, seus para mim e só. E aquelas suas perguntas que me deixava ruborizado; eu dizia sempre não, mas era com o intuito de que você repetisse e aquilo tornasse contínuo; porque, na verdade, eu amava, sempre amei e queria ouvir no outro dia, ou na outra hora, ou dali a dois minutos...

Agora dói ao receber uma mensagem e ver que não é sua; dói ver o cursor do MSN piscando enquanto eu espero uma resposta, ou enquanto eu penso em uma. Dói esperar um elogio, ou pensar em fazer um. Dói não ouvir mais você dizer que vai vir aqui me ver, me encontrar; ou me chamar para ir aí te ver, te encontrar. Dói ter medo de dizer eu te amo e não receber uma resposta - um completo “eu te amo também”, com direito a um “muito, muito e sempre, para sempre” acrescentado no final; e no final uma reticência, não um ponto final.

Ps.: Você sabe... s2


" Você não tem que se sentir como um desperdício de espaço, você é original, não pode ser substituído. Se você soubesse o que o futuro guarda, depois de um furacão vem um arco-íris." - Katy Perry - Firework

domingo, 24 de outubro de 2010

Primeira pessoa do plural.

"E eu quero(...) de alguma forma, de alguma forma, de alguma forma compartilhar um pouco do irresistível, imortal, poderoso, incondicional, envolvente, enriquecedor, agregador, atual, infinito amor que eu tenho por você." - Sarah Kane - Crave


Já se sentiu como se estivesse num beco sem saída e que não há razão para continuar lutando por uma coisa que não está indo para frente?! Eu já ouvi dizer que em um relacionamento as pessoas precisam caminhar juntas, de mãos dadas... e agora, aqui conosco, certamente há alguém na frente, certo?! Esse alguém sou eu ou é você?!

Talvez o problema esteja exclusivamente comigo: eu demorei demasiado pra perceber o quanto eu te amo, o quanto eu te sinto e o quanto eu preciso de você; talvez nesse tempo o que você sentia tenha se perdido, desgastado... Eu espero que quem esteja na frente – eu ou você – espere o outro para que possamos continuar caminhando, caminhando juntos... eu preciso de você, e espero que você também precise de mim. Espero que não seja tarde para ainda conjugar com você todos os verbos na primeira pessoa do plural... vamos conjugá-los só no presente, vamos?!

Perdoa-me por te amar tanto e exigir de você tantas coisas que sei que são impossíveis e até desnecessárias. Ps.: I love you


"You make it easy, as easy as 1, 2... 1, 2, 3, 4. There's only 1 thing, 2 do, 3 words, 4 you... I love you. There's only 1 way, 2 say those 3 words... that's what I'll do - I love you!" - Plain White T's - 1, 2, 3, 4

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Palavras ao vento...

"Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos" - Oscar Wilde


Eu me sinto aliviado por, em momento algum, não ter acreditado em suas palavras - eu tinha certeza plena que tais beiravam por completo a insanidade. Eu não, eu não acredito em um “eu te amo” sem troca de olhares; sem manifestações do corpo que, porventura tal sentimento propicia ao amante. Amar é transformar o simples em algo sublime, é permutação, é, também, purificação da alma; é o delírio da mente e o descontrole do corpo pela incapacidade de domar tamanho poder, tamanha força selvagem. Eu não, eu não me submeto a acreditar em um amor surreal – sei que hoje eu consigo sentí-lo, mas, e amanhã?! Amanhã esse amor já não é mais meu... Não, não é o que eu almejo; eu almejo a estabilidade!

"Palavras apenas, palavras pequenas, palavras, momento... Palavras, palavras, palavras, palavras, palavras ao vento...!" - Cássia Eller

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Eu queria...


"Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer."
- Fernando Pessoa

Eu queria ter coragem de empacotar minhas coisas e viajar incessantemente pelo mundo, ou até mesmo menos que ‘o mundo’. Eu ‘queria querer’ agora e ‘desistir de querer’ amanhã – queria desapegar facilmente das emoções, das pessoas, das coisas. Queria ter a facilidade de explorar meus sentimentos, de senti-los e de, acima de tudo, demonstrá-los. Queria entender os outros e que eles me sentissem. Queria tudo e o nada, e do primeiro conseguir o segundo e do segundo o primeiro. Eu queria... Eu queria em vez de conjugar 'querer' no passado, conjugá-lo no presente.

Talvez eu saiba que o querer é o que eu quero, mas o que eu quero é o que eu deveras não sei - logo, eu nada sei.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Pés cansados

"Perder-se também é caminho" - Clarice Lispector

Perco-me nos meus desejos, nos meus anseios, nas minhas aspirações. Perco-me em devaneios; perco-me no passado, presente e futuro. Perco-me em sorrisos, em carinhos, em abraços, em gestos, em palavras, em lições e em olhares. Perco-me em lágrimas, nas oscilações das batidas no peito, nas gargalhadas. Perco-me na briga entre a razão e a emoção, entre a mente e o espírito, entre a insanidade e a lucidez. Perco-me em casos e acasos. Perco-me no meu romantismo, na minha ousadia, na minha frieza. Perco-me em minhas qualidades, em meus defeitos e em minhas ações neutras. Perco-me no que fui, no que sou e no que almejo ser. Perco-me do concreto ao abstrato. Eu me Perco... E é como Lispector dizia: “Perder-se também é caminho”

"Depois de tanto caminhar, depois de quase desistir, os mesmos pés cansados voltam pra você... pra você!" - Sandy Leah

quinta-feira, 4 de março de 2010

Bolha de vidro


"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária." - Clarice Lispector

Aos poucos sentia que meu coração pulsava lentamente, mas, simultaneamente ele acelerava – minha pulsação oscilava. Parecia que eu estava preso em uma “bolha de vidro”, e o ar aos poucos se exauria; sentia-me demasiadamente só, e procurava em cada canto o rosto das pessoas que outrora tanto me faziam bem. Talvez pareça um pouco dramático da minha parte, mas meu primeiro dia na faculdade me fez cair em devaneios, e eu fiquei à mercê de minhas emoções. Mas não, eu não queria demonstrar fraqueza, muito pelo contrario, queria demonstrar o quão forte eu sou, a tamanha capacidade de superação que eu tenho e, mesmo aparentando muito jovem, por detrás dessa ‘casca’ há um homem, um grande homem - forte, “sagaz” e imponente. Precisava de um abraço, de conforto, mas recebi algo completamente ao contrario – desgosto, decepção, frieza. Queria eu ter o dom de entender os sentimentos das pessoas, cada uma tem seu jeito de expressar – eu sei -, mas há casos e acasos, e esse não foi o momento propicio de demonstrar afeto. Pai, porque às vezes você é tão insensível?!

É realmente difícil de compreender certas ações, mas se há algo que eu realmente aprendi foi a conversar. Todas as questões relacionadas com algo que o sufoca só são resolvidas na base do diálogo – olho no olho, gestos claros e expressões fortes. Não importa o quão só você pense que está, sempre há alguém a espera da sua volta da “bolha de vidro” - sempre há uma saída, pois o que não o mata, com certeza o fortalece; a cada dia EU me fortaleço: hoje sou muito melhor do que fui ontem!

Começando uma nova etapa, adaptando-me ao meio, organizando meu futuro, tomando iniciativas e vivendo minha vida!

PS.: Parte desse texto eu escrevi em um dia, e a outra parte no outro. Queria ter postado nos dias em que os fatos aconteceram, mas não foi possível, talvez até fique melhor como está: fica mais claro que, no decorrer do texto eu amadureci e tive uma visão mais otimista – em 24h muitas coisas acontecem, muitas coisas mudam e se modificam.